Por que Cinema?
Além de uma importância sociocultural histórica no mundo todo desde o início do século XX, o Cinema tem posição privilegiada quando falamos de audiovisual por sua gênese enquanto linguagem.
Guardadas as especificidades de cada formato, todos os produtos audiovisuais que conhecemos hoje são originários da invenção dos aparelhos cinematógrafos no final do século XIX e, consequentemente, filhos do Cinema. Sendo assim, a linguagem que nasceu do Cinema, por consequência, também é mãe de toda linguagem audiovisual, com as quais compartilha a maioria dos seus códigos.
Portanto, pensar o Cinema é também pensar a imagem audiovisual de maneira ampla. Ou seja, apesar do foco de estudos aqui estar nos filmes, o letramento audiovisual abordado neste produto também pode contribuir para uma melhor compreensão de outras mídias.
No entanto, também é necessário reafirmar o papel do Cinema na formação humana.
Em um tempo de saturação das imagens na “sociedade das telas”, incluir o Cinema no currículo também objetiva desacelerar os olhares e voltar para a contemplação, a experiência estética do sensível, para ressignificar esse consumo permanente da imagem audiovisual.
Considerar o Cinema como um meio não significa reduzir seu potencial a uma ferramenta pedagógica.
Dica de Leitura

Devido à riqueza potencial formativa do cinema, essa dimensão do recurso é inevitável, pois faz parte da natureza de sua inserção na escola, mas o problema é quando o cinema se reduz no espaço formativo a isso, como ocorre na maioria das vezes. E é nesse limiar entre o uso “escolarizado” que restringe o cinema a um recurso didático e o uso do cinema como objeto de experiência estética e expressiva da sensibilidade, do conhecimento e das múltiplas linguagens humanas que podem inspirar outras práticas escolares que situo a importância de redimensionar o caráter instrumental do cinema.
Quando falamos de Cinema, o uso instrumental é aquele voltado exclusivamente para o ensino de conteúdos curriculares, sem considerar a dimensão estética da obra ou como ela se insere no contexto social, histórico e político.
Se tomamos os filmes “[...] apenas como um meio através do qual desejamos ensinar algo, sem levar em conta o valor deles, por si mesmos, estamos olhando através dos filmes e não para eles” (Duarte; Alegria, 2008, p. 69).
Portanto, do ponto de vista educacional, o Cinema pode e deve ser trabalhado como instrumento de aprendizagem e também como objeto de estudo.
Nesse sentido, a mediação educativa do Cinema na escola poderia então ir além do viés instrumental e cumprir com o objetivo último da educação midiática, que é a educação para a cidadania, ao buscar fazer educação com Cinema (usando filmes como ferramenta pedagógica) e sobre Cinema (através do letramento audiovisual e do estímulo ao pensamento crítico).
Ou seja, um ensino que proporcione também a compreensão dos códigos da linguagem audiovisual e desenvolva o pensamento reflexivo em relação a essas imagens, faz parte da formação humana integral na contemporaneidade, pois privilegia os estudantes na construção de olhares autônomos na relação com essas mídias para uma melhor compreensão da totalidade da vida.
Nesse sentido, valorizar as obras e a arte cinematográfica em si na inclusão do Cinema na escola é evidenciar também o seu inerente aspecto formativo e pedagógico. Para saber mais sobre o assunto:
POSSIBILIDADES FORMATIVAS DO CINEMA (Almeida, 2014)
CINEMA E EDUCAÇÃO: FUNDAMENTOS E PERSPECTIVAS (Almeida, 2017)